07/11/2009

Momentos mágicos

Na Semifinal do Campeonato Brasileiro em Vitória aconteceu o seguinte final na partida do carioca Alberto Mascarenhas (de brancas) que deixou o MI E. Matsuura absolutamente embevecido.



Inicialmente ele chamou todo mundo que passava para ver aquela situação estranha com 3 peões passados unidos na 6a e com torre a menos. O jogador de pretas, extremamente apurado no tempo, jogou 1...b6 (?) e levou o golpe 2. b5! ( 2. h7 deve ser mais preciso mas, não é tão bonito.) 2. ... bxc5 3. bxc6 (e agora são 4 peões na 6a fila!) 3. ... Tc7 4. f7 + Rf8 5. h7 abandonam.

Assim que a partida acabou começaram análises extremamente apaixonadas, como o momento exigia, e o Everaldo imaginou a seguinte situação com os 4 peões na 7a fila (era só o Mascarenhas fazer algumas triangulações com o Rei para dar tempo do peão preto chegar em c2. Aí teríamos o seguinte diagrama:



Nessa posição as brancas jogam: 1. g7! c1=D 2. f8=D+ Txf8 3. gxf8=D+ Rxf8 4. c8=D+(!) Dxc8
5.h8=D+ e 6. Dxc8 +-

Essa foi uma daquelas situações que trazem à tona a beleza do Xadrez.

09/10/2009

Aberto 71 anos do Clube de Xadrez de Curitiba (2)


(continuação):
Um segundo motivo que me levou a jogar o torneio em Curitiba foi a oportunidade de encontrar o Terzian e a Cláudia, dois grandes amigos de Osasco, que agora moram na capital paranaense. Terzian foi um dos grandes enxadristas que começaram a jogar (bem) em Osasco. Fomos, várias vezes, campeões desde o s Jogos Abertos até o Brasileiro interclubes, por Osasco. Chegamos até a dividir uma cesta básica de salário por jogarmos em Osasco (a prefeitura só contratava um dos jogadores - eu - que tinha que dividir o salário (mínimo) com o outro (o Terzian). Uma vez tive que ouvir de um dirigente de outra cidade o motivo de nunca terem tentado contratar a gente: "É que voces tinham tantos títulos e deviam ganhar tào bem que nós nunca poderíamos cobrir a oferta de Osasco.
Durante muito tempo eu voltava, à noite, de ônibus com o Terzian já apaixonado pela Cláudia, também enxadrista de Osasco, e tinha que ouvir intermináveis monólogos sobre como ela era fantástica, linda, maravilhosa. Tempos depois se casaram.
Algum tempo atrás ele passou por um grave problema de saúde do qual está se recuperando. Finalmente (após a 4a rodada, à noite) tive oportunidade de bater um longo papo com eles. Valeu por todo o torneio.

Seguem as partidas:
1a rodada:



03/10/2009

Fier na ESPN

Hoje, sábado (3/10/2009) Fier será entrevistado por Juca Kfoury às 21:00h. Quem puder assista e comente.
Abraços.

20/09/2009

Aberto 71 anos do Clube de Xadrez de Curitiba (1)



No último dia 11 joguei o IRT em comemoração aos 71 anos no C X de Curitiba. Eu sempre tive um grande carinho por essa entidade - Clube de Xadrez- mesmo quando funciona numa praça, sem ter uma sede própria. O que traz identidade ao clube são os seus frequentadores. Em Detroit o clube de xadrez não passava de duas mesas no setor de convivência do Centro dos Estudantes da Universidade de Wayne. Mas, nos dias em que o clube "abria", aquele espaço ganhava vida e eu devo grande parte dos momentos felizes que passei nos EUA àquele pequeno espaço e seus frequentadores.

Com muita frequência eu ouço que os clubes de xadrez são uma espécie em extinção. E isso é verdade. O tratamento absolutamente amador na gestão dos clubes gera, com frequência, dívidas altas e arrecadação baixa. Alguns abnegados se sacrificam cuidando do clube, para alívio dos outros usuarios, e acabam se transformando em porteiros, faxineiros, tesoureiros, presidentes e, por fim, donos.

Em Nova York tentei visitar o Manhattan Chess Club, um dos mais importantes espaços de xadrez do mundo, frequentado por Capablanca e Fischer. O clube, no entanto, tinha desaparecido: falta de dinheiro o levou de um endereço a outro até sumir de vez. Já com o Marshall Chess Club a história foi algo diferente. F. Marshall conseguiu que um de seus ricos admiradores doasse a sede para o clube, no coração de Nova York. E lá eles estão conseguindo sobreviver graças ao aluguel dos andares superiores (4 apartamentos residenciais). Em São Paulo temos o exemplo do CX São Paulo, um dos maiores e mais bonitos clubes do mundo (ao menos no salão principal). Um prédio de 4 andares no centro da cidade, que por muito pouco desapareceu e ainda corre esse risco apesar de, agora, com o patrocínio da Semp-Toshiba, já poderem respirar mais aliviados (e nós enxadristas, por tabela, também).

Aqui em Joinville o Clube de Xadrez tem uma sede (alugada) excepcional, em pleno centro, mas ainda sub-aproveitada pela comunidade e por demais dependente do poder público. Está dando muita sopa pro azar.

Minhas origens estão no Clube de Xadrez Capablanca de Osasco ( que raio de nome estranho era esse?, foi minha primeira impressão ao conhecê-lo, já que nunca tinha ouvido falar no genial cubano.) que se tornou...sei lá o que se tornou. Só lembro que foi mudando de lugar (já que ligado à prefeitura de Osasco) desde uma casa superconfortavel, até o interior de uma bilheteria de estádio, estando agora embaixo de uma ponte.

Grande parte dessses problemas foram vividos pelo CX de Curitiba que vem conseguindo graças aos esforços do Acyr Calçado, Adwillians de Souza (que são a parte mais visivel da diretoria) e, principalmente, de vários enxadristas que além de gostarem do clube perceberam que valia a pena colaborar com essa administração nao só doando dinheiro mas tempo. O clube está se libertando das dívidas e voltando a ser uma referência no xadrez nacional.

Longa vida aos clubes de xadrez.

21/08/2009

Ave Rybka !


Durante o Continental eu tive uma visão mais próxima do que vem a ser o xadrez com o programa Rybka ( "pequeno peixe") que , segundo seu criador é feminino.

Para quem nào conhece, Rybka é o mais forte programa para se jogar xadrez da atualidade, longe dos outros como o Fritz11, por exemplo. Quando a gente começa a analisar partidas usando o peixinho, o jogo parece o que era quando a gente estava aprendendo a jogar: pura mágica. Particularmente em posições táticas.

Após uma das rodadas o Wagner Madeira, em cuja casa fiquei durante o torneio, nào parava de falar maravilhas de uma das partidas ganhas pelo Fier. Já em casa ele foi me mostrar a partida no computador e deixou o, isto é, a Rybka analisando os lances enquanto ia me mostrando. O programa imediatamente mostrou os furos de ambos os lados. Todo o entusiasmo do Wagner se desvaneceu apesar de ficar clara a coragem do Fier em arriscar nessas posições.

Ao ver ela manejando posições extremamente perigosas, como se nada estivesse acontecendo, dá pra aprender como se defender. No dia seguinte, meu adversário sacrificou um peão na abertura e eu não tive dúvidas em comer e defender o que era meu, em uma posição em que eu jamais faria isso. E consegui, sem dificuldades.

Estes dias eu li um artigo no site www.chessbase.com sobre uma situação inusitada: um determinado estudo de D. Djaja de 1972 que seres humanos ou computadores não seriam capazes de resolver. O artigo completo pode ser lido aqui. Na época um grupo formado por Keres, os dois Byrnes, Lothar Shimidt, e Hans Donner tentaram resolver durante mais de meia hora e não conseguiram. O diagrama é este:


Jogam as brancas e empatam. (obs: essa posiçào já é uma parte avançada. O estudo completo pode ser visto aqui)

Foi feita uma aposta de que o/a Rybka não conseguiria descobrir o lance chave. O programa descobriu o lance em pouco mais de 28 segundos! E a estratégia para o ganho em 1min e 2 segundos O Fritz 11 também achou a solução em 32 segundos.


Se voce pretende resolver o problema não leia a partir daqui.


Aqui vale uma explicação. O programa simplesmente determina que todos os outros lances perdem e só o lance da solução permite continuar a partida mesmo com uma tremenda desvantagem que é acusada na avaliação (-+ (-4,46) Rybka e -+(-2,93) Deep Fritz11). O empate é por xeque-perpétuo e não podemos esquecer que empate por perpétuo não existe nas regras de xadrez. O que existe são os empates por repetição de diagrama ou a regra dos 50 lances. Enquanto o programa não avançar o suficiente para identificar um desses dois empates ele vai considerar a partida ganha para as negras.

Esse problema, extraído de um livro de Hans Donner, circulou, segundo ele , na Olimpíada de Skopje- 1972 e levou muita gente à loucura tentando resolvê-lo.

Agora, durante o mundial 960 em Mainz o estudo foi apresentado a um grande número de GMs presentes ao evento.

Aronian resolveu rapidamente mas confessou que já conhecia o problema do livro de Donner. E sugeriu que tentassem com Gabriel Sargissian, seu segundo, um super solucionista que consegue resolver estudos instantaneamente. Não conseguiu. E. Nadjer, D. Navarra e D. Fridman tambem tentaram e não conseguiram resolver. Horas mais tarde, depois de despender muito tempo, Fridman apareceu com a solução.

V. Gashmov(2740) e seu irmão S. Gashmov(2351) tambem tentaram mas só o mais fraco deles deu com a solução. Outro que tambem conseguiu foi o superGM Mamedyarov(2715) auxiliado por várias jarras de cerveja e muita dedicação.

E, por fim, Kasparov, de férias no Mediterrâneo, que ligou e disse ter achado a solução em 1 minuto ou 2 "mas somente graças à grande dica incluída na história". Ele racicinou que "se Rybka levou mais de um minuto - uma eternidade - para descobrir a solução em uma posição aberta é porque a soluçào é o xeque-perpétuo. Aí ficou fácil."

Ave, Kasparov.

03/08/2009

Continental 2009 - 11a rod

Não deu.

Ontem perdi para o GM colombiano G. Garcia e terminei com 6 pontos. o Milos foi o único brasileiro a classificar-se para o mundial pelo torneio (numa cansativa eliminatória logo após o torneio (6 jogadores, 4 vagas em partidas de 15 in com 10s de acréscimo. Na primeira partida conseguiu várias vezes vantagem decisiva mas começou a jogar muito mal e perdeu. Depois se recuperou e terminou em primeiro). Em novembro junta-se ao Fier e ao Leitão, que já estavam classificados pelo zonal, e vão para a Russia jogar o mundial.

A classificação final do torneio pode ser vista aqui.

Nessa última partida eu tinha que ganhar para tentar conseguir a norma de MI. Faltou gás.


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Continental 2009 - 10a rod

De volta ao Titanic

As últimas rodadas foram muito cansativas, o que faz lembrar como é importante o preparo físico em torneios desse porte (ao menos para a maioria dos jogadores).

Está sendo muito difícil manter um nível razoável de análise e os erros aparecem aos montes. Para alguns, entretanto, o torneio parece que acaba de começar. O meu amigo Wagner Madeira parece ser um desses casos. Vem fazendo um sprint admirável só deixando o,5 pontos para tras nas ultimas 4 rodadas, depois de amargar um começo bem instável.

Agora é ir para a última rodada contra o GMI colombiano Gildardo Garcia. Só a vitória interessa já que é possível conseguir a norma de MI, que no Continental é equivalente a 20 partidas (lembrando que o título de MI deve ser obtido em 27 partidas, o que geralmente se traduz em 3 normas em 3 torneios).



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31/07/2009

Continental 2009 - 7a rod

Finalmente ganhei.
Hoje joguei contra um MI cubano. A partida foi bem agressiva e pressionei bastante no tempo e na partida. Ainda não tive tempo de analisar mas acho que joguei bem.

Por incrível que pareça não está dando para acompanhar as partidas. Estou tentando me concentrar mais nas minhas mesmo. Agora, dá pra destacar a Vanessa Feliciano (5 em7) que vem fazendo um grande torneio, tendo vencido um MI ontem. Tem chances de norma de MI. E também o Disconzi (5 em 7)que começou a engrenar agora no terço final e ganhou ontem de pretas de um GM.

Dá pra acompanhar tudo sobre o torneio aqui no Chess Results.



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30/07/2009

Continental 2009 - 6a rodada

Hoje eu baqueei. Perdi uma partida ainda pior que com o Felgaer. Só que de uma forma mais bisonha. Me concentrei como há muito eu não fazia, ele cometeu um erro e montei uma posição em que ganho uma peça. Antes de abandonar ele ainda tentou um último recurso e eu tinha umas 5 formas diferentes de ganhar. Em vez disso joguei um lance muito duvidoso que, apesar de duvidoso, ainda mantém a vantagem. Só que eu não conseguia ver a solução para aquilo e deixei de ganhar a peça. Em seguida passei a jogar lances fracos, entreguei dois peões e o resto voces podem ver na partida.

O Leitão jogou do meu lado, sofreu muito mas conseguiu ganhar. O Krikor atropelou o Ivan Nogueira à minha direita e, dentro do aquario, o Milos parou o tanque Fier ganhando um final de torres. O torneio segue indefinido.

Resultados e emparceiramento aqui





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29/07/2009

Continental :4 em 5

Estes dias todos estive na bela casa do meu amigo Wagner Madeira e não tive tempo de atualizar as notícias. Hoje estou na bela casa da minha irmã e vou, ao menos por as partidas em dia.

Joguei contra um rapaz argentino com um elo de 2435. Ainda é MF mas já deve ter norma de MI. Ganhei uma boa partida o que me coloca, com 4 pontos em 5, bem perto do grupo de cima(vamos esquecer o Fier que é o único com 100% dos pontos).

O CXSP, agora com o patrocínio da SEMP-TOSHIBA, está de cara nova e muito bonito após a reforma do 3o andar.(ainda falta o quarto). Em contra-partida ao patrocínio o clube está desenvolvendo um trablho de ensino de xadrez na favela de Heliópolis, acho que no Morumbi, já com 150 alunos. Vida longa ao novo CXSP.

O torneio está sendo jogado por 266 jogadores, distribuídos em 3 andares, sendo que o mais confortavel é o 3o onde fica o aquario onde jogam as primeiras 16 mesas. É estranho ver figuras como Granda, Vescovi, Mecking, Zapata e vários outos GMs jogando fora do aquario no meio da multidão. Sinal da dureza do torneio. O Mequinho, por sinal, já abandonou o torneio após empatar com a WGM Vivian Ramon , de Cuba.

Os resultados e emparceiramentos do torneio podem ser vistos aqui.

Agora vamos às partidas. Não estou usando nenhum programa para analisar, portanto não vou por a mão no fogo por tudo que eu escrever.



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